O que você precisa
- Claude Code aberto numa pasta vazia só para isso — ~/Desktop/CARREIRA serve
- Sua conta do LinkedIn, e a sua senha em mãos: quem loga é você
- Seu currículo em PDF na pasta, se você tiver — ajuda muito na Etapa 2
- Uns 40 minutos na primeira vez. Depois, 10 minutos por rodada
O caminho inteiro é este, e cada etapa produz um arquivo que a próxima usa:
- LinkedIn aberto no navegador dele — você faz o login
- perfil-atual.md — o seu "antes", texto literal
- diagnóstico → perfil-novo.md
- vagas.md — a lista, sem login
- fit: aplicar hoje / ajustar / descartar
- cartas/ — e o último clique é seu
Repare que o trabalho todo acontece em arquivo, não na tela. Isso não é detalhe de organização: é o que faz a coisa ser rápida e o que te dá o "antes" para comparar quando você quiser voltar atrás.
Abrir o LinkedIn no navegador dele
O Claude Code tem um navegador dentro dele. Abre num painel ao lado da conversa, e ele não vê uma foto da tela — ele lê a estrutura da página. Por isso consegue achar campo, botão e texto sem você apontar onde está.
Abre o linkedin.com no navegador interno e me mostra a tela.
Eu vou fazer o login com as minhas mãos. Não digita nada nos campos de
e-mail e senha, e não tenta entrar por mim.
Ele vai cair na tela de login. O navegador dele começa com a sessão limpa — sem os seus cookies, sem a sua sessão do Chrome. Isso não é problema, é como tem que ser. Você digita e-mail e senha ali no painel, com as suas mãos, e marca "Manter acesso" para não repetir isso na próxima sessão.
Nunca dê a sua senha para ele digitar. Não é preciosismo: senha escrita na conversa fica gravada no histórico da conversa, e passa a existir num lugar onde ela não deveria existir. Você abre a sessão; ele usa a sessão que você abriu.
Depois de logar, tudo o que vem a seguir ele faz sozinho — ler, rolar, abrir vaga, preencher campo. A única coisa que ficou sendo sua nessa etapa foi a senha.
Tirar o perfil da tela e virar arquivo
Esta é a etapa que quase todo mundo pula, e é ela que faz as outras cinco funcionarem.
Estou logado no LinkedIn. Abre o meu perfil.
Lê a página inteira, rolando até o fim, e escreve um arquivo
perfil-atual.md com:
- a headline
- a seção Sobre, na íntegra
- cada experiência: empresa, cargo, período e a descrição inteira
- formação
- as competências listadas, todas
- número de seguidores e de recomendações
Copia o texto literal, exatamente como está escrito. Não melhora, não
resume e não corrige nada agora — esse arquivo é o meu "antes".
Se alguma seção estiver vazia ou cortada, escreve VAZIO ou TRUNCADO
nela em vez de preencher por conta própria.
Por que virar arquivo: ler a tela é lento e o LinkedIn muda de layout sem avisar. A partir daqui ele trabalha no arquivo — instantâneo, e o mesmo texto nas sete etapas. E você fica com o registro de como o perfil estava antes de você mexer.
Se você tem o currículo em PDF na pasta, aproveite agora — é o momento de maior retorno de todo o guia:
Lê o meu currículo em PDF e o perfil-atual.md, e me diz o que está no
currículo e ficou de fora do LinkedIn.
Me mostra em duas colunas: o que só está no currículo, e o que só está
no LinkedIn. Começa pelo que você acha mais forte e que está faltando
no perfil.
É quase sempre aqui que aparece o material bom. O currículo você escreveu com calma para uma vaga específica; o perfil você preencheu com pressa em 2019 e nunca voltou.
O diagnóstico honesto
Se você só pedir "analisa meu perfil", ele vai te elogiar. Não porque está mentindo — é que "analisar" sem critério vira resumo simpático. Você tem que pedir o contrário.
Lê o perfil-atual.md.
Agora seja o recrutador que descarta o meu perfil em 6 segundos, não o
que me contrata. Me diz:
1. O que você lê nesses 6 segundos, na ordem em que os olhos batem.
2. Nota de 0 a 10 para a headline, para o Sobre e para cada
experiência, com a justificativa em uma linha.
3. Toda frase que é genérica o suficiente para estar no perfil de
qualquer outra pessoa da minha área. Cita a frase, não descreve.
4. O que eu deveria CORTAR. No mínimo três coisas.
5. O que um perfil forte da minha área tem e o meu não tem.
Não me elogia. Se estiver ruim, diz que está ruim e diz exatamente
onde.
Se o diagnóstico vier elogioso, ele não serve. Peça de novo, com mais pressão: "de novo, e agora assumindo que você tem 80 perfis na fila e só vai chamar 4". Elogio não te diz o que mudar — e o item 4 é o mais valioso da lista, porque todo mundo só pensa em adicionar.
Leia o diagnóstico inteiro antes de deixar ele mexer em qualquer coisa. Você vai discordar de umas duas ou três coisas, e discordar é bom: é assim que você descobre o que realmente quer que o seu perfil diga.
Aplicar as melhorias
Primeiro ele escreve tudo num arquivo. Só depois isso vai para o site — e no seu ritmo.
Agora reescreve, seção por seção, e salva em perfil-novo.md.
Regras:
- Primeira pessoa, do jeito que eu falaria em voz alta.
- Sem jargão de RH. Nada de "profissional apaixonado", "proativo",
"hands-on", "mindset", "entrega de valor".
- Toda linha que pode ter um número, tem um número.
- Nada que eu não consiga defender numa entrevista de 40 minutos.
Me dá 5 opções de headline, cada uma apostando numa coisa diferente, e
me diz o que cada uma está priorizando e o que está abrindo mão.
Onde faltar um número que eu não te dei, escreve [FALTA NÚMERO] em vez
de inventar. No fim, me pergunta todos os que faltaram.
Aquele [FALTA NÚMERO] é a linha mais importante do prompt. Sem ela, ele preenche o buraco com um número plausível — e número plausível no seu perfil é o tipo de coisa que só aparece na entrevista, na frente de quem vai perguntar.
Depois de aprovar o texto, existem dois caminhos para colocar no ar.
Você cola
- abre o LinkedIn e cola seção por seção, na mão
- leva uns 10 minutos
- você lê tudo uma última vez no caminho
- zero risco de salvar algo que você não viu
Ele preenche
- ele clica em Editar e digita nos campos por você
- é mais rápido, e some com a parte chata
- exige o comando de parar antes de salvar
- campo de perfil salvo errado sua rede vê antes de você
Se for pelo segundo caminho, o comando tem que ser explícito:
Preenche a seção Sobre do meu perfil com o texto novo.
Abre a edição, apaga o que está lá, digita o texto do perfil-novo.md e
PARA antes de salvar. Me mostra como ficou na tela e espera. Quem
clica em Salvar sou eu.
Uma seção por vez. Não avança para a próxima sem eu falar.
Mudança de cargo no perfil avisa a sua rede. Se você está empregado e mexendo no perfil de madrugada, desligue antes o "Compartilhar atualizações de perfil" nas configurações — senão o seu chefe descobre a sua movimentação pelo feed dele.
Procurar as vagas
A busca de vagas do LinkedIn funciona sem login. Só o perfil exigiu sessão — a lista de vagas ele lê à vontade.
Só que existe uma armadilha, e ela te faz perder tempo sem você entender por quê:
O navegador dele sai com IP de fora do Brasil. Então &location=Brasil na URL é simplesmente ignorado e voltam vagas dos Estados Unidos — com nomes em inglês, parecendo legítimas. O que funciona é o geoId.
Brasil geoId=106057199
São Paulo geoId=105871508
Exemplo de busca:
https://www.linkedin.com/jobs/search?keywords=analista%20de%20dados&geoId=106057199
Para qualquer outro lugar: monte a busca clicando na interface do
LinkedIn uma vez — cargo, cidade, remoto, data — e copie a URL inteira
da barra de endereço. Todos os filtros que você clicou estão nela.
Esse último parágrafo é o método que não envelhece. Os códigos de filtro do LinkedIn mudam de nome de vez em quando; a URL que você acabou de montar clicando, não.
Abre esta busca no navegador e lê a lista inteira, rolando até o fim:
<COLE A URL DA BUSCA AQUI>
Escreve vagas.md com uma linha por vaga, nesta ordem:
vaga | empresa | cidade | quando foi publicada | link
Ordena da mais recente para a mais antiga, e marca com ★ as publicadas
há menos de 7 dias.
Não abre as vagas uma por uma ainda. Agora eu só quero a lista.
Repita para três ou quatro buscas diferentes — variando o cargo, não a cidade. "Analista de dados", "analista de BI", "analista de inteligência de mercado" trazem listas que se sobrepõem pouco, e a vaga certa costuma estar com um nome que você não pensou em procurar. Peça para ele juntar tudo no mesmo vagas.md, tirando as repetidas.
E olhe a coluna de data antes de qualquer outra coisa: vaga de três semanas já tem duzentos candidatos na frente. É por isso que a ★ existe.
Quais vagas valem o seu tempo
Agora ele tem os dois arquivos — quem você é e o que existe. O valor está no cruzamento, e é aqui que isso deixa de ser uma busca no LinkedIn e passa a ser algo que você não conseguiria fazer na mão.
Lê o perfil-atual.md e o vagas.md.
Para cada vaga, me dá:
- nota de fit de 0 a 10
- os requisitos que eu claramente atendo, citando de onde no meu perfil
- os requisitos que eu não atendo
- o que eu teria que aprender, e se isso é um fim de semana ou meses
Separa em três listas: aplicar hoje, aplicar depois de ajustar o
perfil, e descartar.
Na lista de descarte, o motivo de cada uma em uma linha. Eu quero ver
os descartes — não me entrega só os aprovados.
Leia a lista de descarte primeiro. É nela que está a informação que você não tem sobre si mesmo: ou você está se subestimando e ele descartou vaga que você daria conta, ou está se superestimando e a lista de "aplicar hoje" veio otimista. Nos dois casos, o descarte te diz mais que a aprovação.
E quando ele descartar uma vaga que você quer mesmo, não discuta com ele: pergunte o que faltaria no seu perfil para ela virar fit. Aí você tem uma tarefa, não uma opinião.
A candidatura personalizada
Aqui está a parte que dá para automatizar de verdade — e a parte que você não deve.
Deixe ele fazer
- ler a descrição inteira da vaga
- escrever a carta usando as palavras daquela vaga
- redigir a mensagem para o recrutador
- responder as perguntas abertas do formulário
- preencher os campos da candidatura
Faça você
- ler a carta antes de ela sair
- conferir cada número que apareceu nela
- clicar em Enviar
Para as 5 vagas com melhor fit, abre cada uma no navegador, lê a
descrição inteira e escreve uma carta em cartas/<empresa>.md.
Três parágrafos, nessa ordem:
1. Por que essa vaga especificamente — citando algo que só existe na
descrição dela, não no setor todo.
2. A coisa mais parecida que eu já fiz, com número, tirada do meu
perfil.
3. O que eu faria nos primeiros 30 dias nessa posição.
Antes de me entregar, faz este teste: se essa carta serve para outra
vaga da lista, ela está genérica. Reescreve até não servir.
Sem "venho por meio desta" e sem repetir o que já está no meu perfil.
Aquele teste no fim é o que separa carta de formulário preenchido. Uma carta que serve para duas vagas não serve para nenhuma — e o recrutador identifica isso na primeira linha, porque ele lê quarenta por dia.
E então a candidatura em si:
Abre a vaga da <empresa>, clica em Candidatura simplificada e preenche
os campos com os meus dados do perfil-atual.md e a carta que você
escreveu.
PARA na tela de revisão, antes de enviar. Me mostra tudo o que você
preencheu, campo por campo, e espera. Quem envia sou eu.
Se aparecer alguma pergunta que você não sabe responder com o que está
nos meus arquivos, para e me pergunta. Não chuta.
Duas razões, e nenhuma delas é medo de tecnologia. A primeira: o LinkedIn restringe conta que dispara candidatura em série — está no termo de uso deles, e a conta é sua, não dele. A segunda, que importa mais: candidatura em massa não funciona. Dez cartas boas ganham de cem genéricas, e você não vai conseguir defender numa entrevista uma carta que nunca leu.
Na prática são uns 40 segundos por vaga: você lê a carta, confere os números, clica. O que ele tirou de você não foi a decisão — foi a hora e meia de ler descrição de vaga e reescrever a mesma carta pela quinta vez.
Os limites
Ele não digita a sua senha. Você loga uma vez, na mão, e ele trabalha dentro da sessão que você abriu.
Ele inventa número se você deixar. É a falha mais comum e a mais cara, porque ela só aparece na entrevista. Por isso o [FALTA NÚMERO] está no prompt da Etapa 4 — e por isso você confere cada número antes de enviar.
Ele não sabe se você vai gostar da vaga. Fit técnico não é fit de vida. Ele cruza requisito com experiência; ele não sabe que aquela empresa tem fama ruim, que o gestor é conhecido, que o trajeto é uma hora e meia. Essa parte da análise continua sua, e ela decide mais que a nota de 0 a 10.
Ele não desfaz o que você publicou. Guarde o perfil-atual.md. É a sua única cópia do "antes" — e é o que te deixa mudar o perfil sem medo, porque dá para voltar.
O trabalho que ele faz é o chato: ler, comparar, escrever a quinta versão da mesma frase. A escolha continua sendo sua — e é só ela que importava.
Da segunda vez em diante isso vira uma rodada de dez minutos por semana: uma busca nova, o cruzamento, três cartas. E quando você fizer isso pela terceira semana seguida, você já sabe o que fazer — isso vira uma skill.