Guia prático

LinkedIn com o Claude Code — do perfil à candidatura

Ele abre o LinkedIn no navegador dele, lê seu perfil, diz o que está fraco, reescreve, acha as vagas e escreve cada candidatura. Você aprova.

@eu.guilhermehorcades
Índice
  1. ·O que você precisa
  2. 1Abrir o LinkedIn no navegador dele
  3. 2Tirar o perfil da tela e virar arquivo
  4. 3O diagnóstico honesto
  5. 4Aplicar as melhorias
  6. 5Procurar as vagas
  7. 6Quais vagas valem o seu tempo
  8. 7A candidatura personalizada
  9. ·Os limites
Pré-requisito

O que você precisa

  • Claude Code aberto numa pasta vazia só para isso — ~/Desktop/CARREIRA serve
  • Sua conta do LinkedIn, e a sua senha em mãos: quem loga é você
  • Seu currículo em PDF na pasta, se você tiver — ajuda muito na Etapa 2
  • Uns 40 minutos na primeira vez. Depois, 10 minutos por rodada

O caminho inteiro é este, e cada etapa produz um arquivo que a próxima usa:

  1. LinkedIn aberto no navegador dele — você faz o login
  2. perfil-atual.md — o seu "antes", texto literal
  3. diagnóstico → perfil-novo.md
  4. vagas.md — a lista, sem login
  5. fit: aplicar hoje / ajustar / descartar
  6. cartas/ — e o último clique é seu

Repare que o trabalho todo acontece em arquivo, não na tela. Isso não é detalhe de organização: é o que faz a coisa ser rápida e o que te dá o "antes" para comparar quando você quiser voltar atrás.

Etapa 1

Abrir o LinkedIn no navegador dele

O Claude Code tem um navegador dentro dele. Abre num painel ao lado da conversa, e ele não vê uma foto da tela — ele lê a estrutura da página. Por isso consegue achar campo, botão e texto sem você apontar onde está.

peça isso
Abre o linkedin.com no navegador interno e me mostra a tela.

Eu vou fazer o login com as minhas mãos. Não digita nada nos campos de
e-mail e senha, e não tenta entrar por mim.

Ele vai cair na tela de login. O navegador dele começa com a sessão limpa — sem os seus cookies, sem a sua sessão do Chrome. Isso não é problema, é como tem que ser. Você digita e-mail e senha ali no painel, com as suas mãos, e marca "Manter acesso" para não repetir isso na próxima sessão.

Regra que não se negocia

Nunca dê a sua senha para ele digitar. Não é preciosismo: senha escrita na conversa fica gravada no histórico da conversa, e passa a existir num lugar onde ela não deveria existir. Você abre a sessão; ele usa a sessão que você abriu.

Depois de logar, tudo o que vem a seguir ele faz sozinho — ler, rolar, abrir vaga, preencher campo. A única coisa que ficou sendo sua nessa etapa foi a senha.

Etapa 2

Tirar o perfil da tela e virar arquivo

Esta é a etapa que quase todo mundo pula, e é ela que faz as outras cinco funcionarem.

peça isso
Estou logado no LinkedIn. Abre o meu perfil.

Lê a página inteira, rolando até o fim, e escreve um arquivo
perfil-atual.md com:

- a headline
- a seção Sobre, na íntegra
- cada experiência: empresa, cargo, período e a descrição inteira
- formação
- as competências listadas, todas
- número de seguidores e de recomendações

Copia o texto literal, exatamente como está escrito. Não melhora, não
resume e não corrige nada agora — esse arquivo é o meu "antes".

Se alguma seção estiver vazia ou cortada, escreve VAZIO ou TRUNCADO
nela em vez de preencher por conta própria.

Por que virar arquivo: ler a tela é lento e o LinkedIn muda de layout sem avisar. A partir daqui ele trabalha no arquivo — instantâneo, e o mesmo texto nas sete etapas. E você fica com o registro de como o perfil estava antes de você mexer.

Se você tem o currículo em PDF na pasta, aproveite agora — é o momento de maior retorno de todo o guia:

com o currículo na pasta
Lê o meu currículo em PDF e o perfil-atual.md, e me diz o que está no
currículo e ficou de fora do LinkedIn.

Me mostra em duas colunas: o que só está no currículo, e o que só está
no LinkedIn. Começa pelo que você acha mais forte e que está faltando
no perfil.

É quase sempre aqui que aparece o material bom. O currículo você escreveu com calma para uma vaga específica; o perfil você preencheu com pressa em 2019 e nunca voltou.

Etapa 3

O diagnóstico honesto

Se você só pedir "analisa meu perfil", ele vai te elogiar. Não porque está mentindo — é que "analisar" sem critério vira resumo simpático. Você tem que pedir o contrário.

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Lê o perfil-atual.md.

Agora seja o recrutador que descarta o meu perfil em 6 segundos, não o
que me contrata. Me diz:

1. O que você lê nesses 6 segundos, na ordem em que os olhos batem.
2. Nota de 0 a 10 para a headline, para o Sobre e para cada
   experiência, com a justificativa em uma linha.
3. Toda frase que é genérica o suficiente para estar no perfil de
   qualquer outra pessoa da minha área. Cita a frase, não descreve.
4. O que eu deveria CORTAR. No mínimo três coisas.
5. O que um perfil forte da minha área tem e o meu não tem.

Não me elogia. Se estiver ruim, diz que está ruim e diz exatamente
onde.

Se o diagnóstico vier elogioso, ele não serve. Peça de novo, com mais pressão: "de novo, e agora assumindo que você tem 80 perfis na fila e só vai chamar 4". Elogio não te diz o que mudar — e o item 4 é o mais valioso da lista, porque todo mundo só pensa em adicionar.

Leia o diagnóstico inteiro antes de deixar ele mexer em qualquer coisa. Você vai discordar de umas duas ou três coisas, e discordar é bom: é assim que você descobre o que realmente quer que o seu perfil diga.

Etapa 4

Aplicar as melhorias

Primeiro ele escreve tudo num arquivo. Só depois isso vai para o site — e no seu ritmo.

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Agora reescreve, seção por seção, e salva em perfil-novo.md.

Regras:
- Primeira pessoa, do jeito que eu falaria em voz alta.
- Sem jargão de RH. Nada de "profissional apaixonado", "proativo",
  "hands-on", "mindset", "entrega de valor".
- Toda linha que pode ter um número, tem um número.
- Nada que eu não consiga defender numa entrevista de 40 minutos.

Me dá 5 opções de headline, cada uma apostando numa coisa diferente, e
me diz o que cada uma está priorizando e o que está abrindo mão.

Onde faltar um número que eu não te dei, escreve [FALTA NÚMERO] em vez
de inventar. No fim, me pergunta todos os que faltaram.

Aquele [FALTA NÚMERO] é a linha mais importante do prompt. Sem ela, ele preenche o buraco com um número plausível — e número plausível no seu perfil é o tipo de coisa que só aparece na entrevista, na frente de quem vai perguntar.

Depois de aprovar o texto, existem dois caminhos para colocar no ar.

Você cola

  • abre o LinkedIn e cola seção por seção, na mão
  • leva uns 10 minutos
  • você lê tudo uma última vez no caminho
  • zero risco de salvar algo que você não viu

Ele preenche

  • ele clica em Editar e digita nos campos por você
  • é mais rápido, e some com a parte chata
  • exige o comando de parar antes de salvar
  • campo de perfil salvo errado sua rede vê antes de você

Se for pelo segundo caminho, o comando tem que ser explícito:

se for deixar ele preencher
Preenche a seção Sobre do meu perfil com o texto novo.

Abre a edição, apaga o que está lá, digita o texto do perfil-novo.md e
PARA antes de salvar. Me mostra como ficou na tela e espera. Quem
clica em Salvar sou eu.

Uma seção por vez. Não avança para a próxima sem eu falar.
Atenção

Mudança de cargo no perfil avisa a sua rede. Se você está empregado e mexendo no perfil de madrugada, desligue antes o "Compartilhar atualizações de perfil" nas configurações — senão o seu chefe descobre a sua movimentação pelo feed dele.

Etapa 5

Procurar as vagas

A busca de vagas do LinkedIn funciona sem login. Só o perfil exigiu sessão — a lista de vagas ele lê à vontade.

Só que existe uma armadilha, e ela te faz perder tempo sem você entender por quê:

A pegadinha do endereço

O navegador dele sai com IP de fora do Brasil. Então &location=Brasil na URL é simplesmente ignorado e voltam vagas dos Estados Unidos — com nomes em inglês, parecendo legítimas. O que funciona é o geoId.

os geoId que resolvem
Brasil          geoId=106057199
São Paulo       geoId=105871508

Exemplo de busca:
https://www.linkedin.com/jobs/search?keywords=analista%20de%20dados&geoId=106057199

Para qualquer outro lugar: monte a busca clicando na interface do
LinkedIn uma vez — cargo, cidade, remoto, data — e copie a URL inteira
da barra de endereço. Todos os filtros que você clicou estão nela.

Esse último parágrafo é o método que não envelhece. Os códigos de filtro do LinkedIn mudam de nome de vez em quando; a URL que você acabou de montar clicando, não.

peça isso
Abre esta busca no navegador e lê a lista inteira, rolando até o fim:

<COLE A URL DA BUSCA AQUI>

Escreve vagas.md com uma linha por vaga, nesta ordem:
vaga | empresa | cidade | quando foi publicada | link

Ordena da mais recente para a mais antiga, e marca com ★ as publicadas
há menos de 7 dias.

Não abre as vagas uma por uma ainda. Agora eu só quero a lista.

Repita para três ou quatro buscas diferentes — variando o cargo, não a cidade. "Analista de dados", "analista de BI", "analista de inteligência de mercado" trazem listas que se sobrepõem pouco, e a vaga certa costuma estar com um nome que você não pensou em procurar. Peça para ele juntar tudo no mesmo vagas.md, tirando as repetidas.

E olhe a coluna de data antes de qualquer outra coisa: vaga de três semanas já tem duzentos candidatos na frente. É por isso que a ★ existe.

Etapa 6

Quais vagas valem o seu tempo

Agora ele tem os dois arquivos — quem você é e o que existe. O valor está no cruzamento, e é aqui que isso deixa de ser uma busca no LinkedIn e passa a ser algo que você não conseguiria fazer na mão.

peça isso
Lê o perfil-atual.md e o vagas.md.

Para cada vaga, me dá:
- nota de fit de 0 a 10
- os requisitos que eu claramente atendo, citando de onde no meu perfil
- os requisitos que eu não atendo
- o que eu teria que aprender, e se isso é um fim de semana ou meses

Separa em três listas: aplicar hoje, aplicar depois de ajustar o
perfil, e descartar.

Na lista de descarte, o motivo de cada uma em uma linha. Eu quero ver
os descartes — não me entrega só os aprovados.

Leia a lista de descarte primeiro. É nela que está a informação que você não tem sobre si mesmo: ou você está se subestimando e ele descartou vaga que você daria conta, ou está se superestimando e a lista de "aplicar hoje" veio otimista. Nos dois casos, o descarte te diz mais que a aprovação.

E quando ele descartar uma vaga que você quer mesmo, não discuta com ele: pergunte o que faltaria no seu perfil para ela virar fit. Aí você tem uma tarefa, não uma opinião.

Etapa 7

A candidatura personalizada

Aqui está a parte que dá para automatizar de verdade — e a parte que você não deve.

Deixe ele fazer

  • ler a descrição inteira da vaga
  • escrever a carta usando as palavras daquela vaga
  • redigir a mensagem para o recrutador
  • responder as perguntas abertas do formulário
  • preencher os campos da candidatura

Faça você

  • ler a carta antes de ela sair
  • conferir cada número que apareceu nela
  • clicar em Enviar
peça isso
Para as 5 vagas com melhor fit, abre cada uma no navegador, lê a
descrição inteira e escreve uma carta em cartas/<empresa>.md.

Três parágrafos, nessa ordem:
1. Por que essa vaga especificamente — citando algo que só existe na
   descrição dela, não no setor todo.
2. A coisa mais parecida que eu já fiz, com número, tirada do meu
   perfil.
3. O que eu faria nos primeiros 30 dias nessa posição.

Antes de me entregar, faz este teste: se essa carta serve para outra
vaga da lista, ela está genérica. Reescreve até não servir.

Sem "venho por meio desta" e sem repetir o que já está no meu perfil.

Aquele teste no fim é o que separa carta de formulário preenchido. Uma carta que serve para duas vagas não serve para nenhuma — e o recrutador identifica isso na primeira linha, porque ele lê quarenta por dia.

E então a candidatura em si:

peça isso
Abre a vaga da <empresa>, clica em Candidatura simplificada e preenche
os campos com os meus dados do perfil-atual.md e a carta que você
escreveu.

PARA na tela de revisão, antes de enviar. Me mostra tudo o que você
preencheu, campo por campo, e espera. Quem envia sou eu.

Se aparecer alguma pergunta que você não sabe responder com o que está
nos meus arquivos, para e me pergunta. Não chuta.
Por que o último clique é seu

Duas razões, e nenhuma delas é medo de tecnologia. A primeira: o LinkedIn restringe conta que dispara candidatura em série — está no termo de uso deles, e a conta é sua, não dele. A segunda, que importa mais: candidatura em massa não funciona. Dez cartas boas ganham de cem genéricas, e você não vai conseguir defender numa entrevista uma carta que nunca leu.

Na prática são uns 40 segundos por vaga: você lê a carta, confere os números, clica. O que ele tirou de você não foi a decisão — foi a hora e meia de ler descrição de vaga e reescrever a mesma carta pela quinta vez.

Fechamento

Os limites

Ele não digita a sua senha. Você loga uma vez, na mão, e ele trabalha dentro da sessão que você abriu.

Ele inventa número se você deixar. É a falha mais comum e a mais cara, porque ela só aparece na entrevista. Por isso o [FALTA NÚMERO] está no prompt da Etapa 4 — e por isso você confere cada número antes de enviar.

Ele não sabe se você vai gostar da vaga. Fit técnico não é fit de vida. Ele cruza requisito com experiência; ele não sabe que aquela empresa tem fama ruim, que o gestor é conhecido, que o trajeto é uma hora e meia. Essa parte da análise continua sua, e ela decide mais que a nota de 0 a 10.

Ele não desfaz o que você publicou. Guarde o perfil-atual.md. É a sua única cópia do "antes" — e é o que te deixa mudar o perfil sem medo, porque dá para voltar.

O trabalho que ele faz é o chato: ler, comparar, escrever a quinta versão da mesma frase. A escolha continua sendo sua — e é só ela que importava.

Da segunda vez em diante isso vira uma rodada de dez minutos por semana: uma busca nova, o cruzamento, três cartas. E quando você fizer isso pela terceira semana seguida, você já sabe o que fazer — isso vira uma skill.